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News of the week

Essa é a terceira “edição de crise” em que falo do COVID-19. Na primeira contei da minha fuga para Chernobyl onde aprendi que, até em face das piores desgraças, com o tempo a vida volta a funcionar. Na segunda edição, me voltei para as pessoas e como podemos tornar a quarentena o nosso legado. Agora eu quero falar sobre as empresas.

O imediato

Um amigo me disse que na quarentena a casa dele parece Las Vegas. Ninguém mais sabe a hora, cocktails são aceitáveis a qualquer momento e estão perdendo dinheiro sem parar. Fiquei curioso para saber esse impacto na indústria de bebidas e liguei para o maior especialista no assunto que pude pensar: Cassiano De Stefano. Além de 20 anos de Ambev nas costas, o Cassiano é o presidente do Grupo Modelo do México, a maior cervejaria do país. Na visão dele, como uma das maiores empresas do país, esse título vêm com uma enorme responsabilidade social. De forma que mesmo com o governo mandando fechar suas fábricas a empresa está a todo vapor em colocar sua estrutura para ajudar nos momentos difíceis.

Esse suporte é dividido em três frentes. Na prevenção, estão produzindo álcool gel em suas fábricas usando o álcool retirado da cerveja Corona Zero para isso. É a Corona impedindo o Corona.

Na parte de tratamento dos doentes, estão realizando diversas doações para construções de hospitais. Eles vão dobrar o tamanho do “Einstein do respiratório” lá do México.

Por fim, estão preocupados com os seus “sócios comerciais”. Para os restaurantes, lançaram a campanha em que a pessoa compra um voucher de um restaurante e eles dobram o valor. O estabelecimento recebe na hora, resolvendo o fluxo de caixa. Para os garçons, começaram a distribuir vale-alimentação para quem realizar treinamentos via a plataforma deles. Ou seja, o garçom se desenvolve profissionamente e ainda é pago por isso. E para os pequenos varejistas, colocaram toda a plataforma de delivery deles disponível, para esse pessoal também começar a entregar. Esse é um problema grande nesse período porque mesmo se mantendo aberto, com as pessoas saindo menos de casa para fazer compras, quando elas saem vão para as grandes redes ou ecommerce.

Some-se a isso mais umas doações de água aqui e ali e mais uma dezena de iniciativas no forno. É claro que eles não são os únicos com iniciativas dessa, mas estão dando um grande exemplo a ser seguido. E agora, você leitor que está tomando aquela cerveja Corona nessa quarentena, sinta-se bem! Porque você está indiretamente ajudando a tudo isso acontecer.

O Futuro

Uma crise é como uma maré baixa, ela revela algumas pedras na superfície. São nessas oportunidades que algumas empresas conseguem olhar para dentro e se reinventar. Mas além de retirar as pedras e melhorar sua eficiência operacional, em uma crise como essa as empresas não podem estar focadas em voltar ao normal, mas em como criar um novo normal. A discussão é: “O que seremos?” E não: “Como vamos preservar o que tínhamos?”

A peste de Athenas em 430 a.C promoveu enormes mudanças nas leis e identidade da cidade. A Peste Negra na Idade Média mudou completamente o balanço de poder entre as classes sociais na sociedade europeia. O surto de SARS em 2002 na China foi responsável por acelerar fortemente a adoção do ecommerce no país. A grande pergunta é: Que mudança veremos na nossa sociedade depois do COVID-19?

O pessoal lá na Índia pode ver os Himalaias pela primeira vez em 30 anos por causa da poluição. Será que isso não será um wake up call para como estamos lidando com o meio ambiente?

O que mais se escuta de empresários hoje é “Da noite para o dia coloquei 400 pessoas em Home Office”. Mas será que se esse período de trabalho remoto dar certo, elas vão voltar a rotina rígida de trabalho presencial ou teremos mais flexibilidade? Se isso acontecer, as empresas vão precisar de escritórios menores. Como que isso vai impactar o mercado de Real Estate?

Recentemente alunos de uma classe que iria ocorrer no Zoom, mudaram o nome que aparecia para “Reconectando”. Isso fez o professor achar que tinha um problema na transmissão e cancelar a aula. Esse é um retrato do aprendizado no mundo da educação no meio dessa migração em massa para o EAD. Mas e como ficará depois se, casos como esse a parte, a experiência dar certo?

Vários restaurantes começando a fazer delivery e as pessoas se graduando com pós e doutorado em comer em casa. Será que elas vão adotar mais essa prática? Um monte de Seu José por ai que nunca tinha comprado nada online até ficar de quarentena. Ele levou 45 minutos tentando, pediu a ajuda pro filho mas conseguiu e adorou. Quantos desses temos por ai? Já vemos muitas empresas colocando a sua força de venda de lojas físicas para trabalhar no segmento online.

 

 

Até a indústria de cinema está se reinventando. Com o surto, a produção de todos os tipos de filmes e séries pararam. Menos uma, a de animações. Será que essa categoria vai se tornar mais relevante? Porque a falta de conteúdo novo já fez o pessoal do Netflix se mexer de maneira muito criativa.

A hora é de se mexer!

“Não é o mais forte que sobrevive, nem o mais inteligente, mas o que melhor se adapta às mudanças.

 

 

Charles Darwin

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