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O ciclo completo do empreendedorismo, com Marcelo Lacerda

 

Nas últimas semanas, a KPTL têm promovido uma série de conversas voltadas para os nossos empreendedores, onde trazemos especialistas para debater alguns temas importantes. Semana passada o tema foi “o ciclo completo do empreendedorismo” e para isso trouxemos o Marcelo Lacerda. Uma low profile, porém cujas 4 “firmecas” já impactaram muita gente e que lhe renderam o apelido de Bill Gates brasileiro pelo Wall Street Journal.

Filho de um piloto da FAB e de uma mãe jornalista e advogada, Marcelo cresceu de forma humilde, mas em um ambiente intelectual. No final dos anos 70, época em que os telefones eram de disco e os computadores não eram vendidos em lojas de departamentos, Marcelo já era programador, enquanto cursava Engenharia Elétrica e Ciência da Computação na UFRGS. Aos 24 anos, foi trabalhar em um consórcio da Embraer para desenvolver o AMX, o mais avançado caça de combate brasileiro na época. Mesmo jovem, Marcelo foi o chefe da área de software do projeto.

Quando o projeto acabou, em 1987, ele fundou sua primeira empresa, a Nutec. Ela começou como um software de “correio eletrônico”. Mas as ideias dele pareciam loucuras para aquele momento. Quando foi vender email pro Bradesco, a resposta foi que tinham acabado de comprar uma central Siemens: “Marcelo, se eu preciso falar com alguém, eu não preciso mandar um email e ficar esperando, eu posso simplesmente ligar no ramal da pessoa.”

A Nutec passou por tudo que você pode imaginar. Ela começou mal e quebrou. Deu a volta por cima, recebeu investimento de Venture Capital quando isso ainda parecia um palavrão no Brasil. Se mudou para os EUA pra competir com uma tal de Microsoft, não deu certo e voltou para o Brasil pivotando o seu produto para um provedor de acesso e um portal de conteúdo. O ano era 1996 e a internet tinha 1 ano de vida no Brasil. Três anos depois, esse produto foi comprado pela Telefônica, que rebatizou o portal de Terra.

No mesmo ano eles fizeram IPO em Nasdaq e Marcelo foi o escolhido para apertar o botão (Talvez o primeiro brasileiro na história a fazer isso?). Nos 6 meses em que ele ficou com suas ações em lockup, Marcelo viu o preço saltar de 13 para 130 dólares e depois voltar para 8 dólares quando a bolha da internet estourou. Por sorte, ele tinha direito a um put call negociado em contrato que lhe permitiu vender suas ações sobre o preço médio desse período. Com isso, Marcelo entraria em um sabático para o resto da vida, focando nos seus hobbies de surfar e pilotar helicópteros.

Mas o empreendedorismo é mais que uma vocação, é um vício. De forma que, em 2007, Marcelo voltou ao jogo com a Blue Telecom, que se tornou a segunda maior empresa de TV a cabo e banda larga do Brasil. Chegou a ter 300 mil assinantes antes de vender para a Claro. E pra reforçar o quão viciante o empreendedorismo chega a ser, até esqueci de falar sobre a segunda “firmeca” do Marcelo. No meio dessas histórias todas, o Marcelo também co-fundou a F.Biz, em 2000. A agência digital se tornaria uma das maiores do país, sendo comprada pela WPP em 2011.

Atualmente, Marcelo concentra esforços na sua mais nova aventura, chamada de Magnopus. A empresa localizada em Los Angeles foi co-fundada com os americanos Ben Grossman e Alex Henning (vencedores do Oscar de melhores efeitos especiais em 2012 pelo filme Hugo) e pelo brasileiro Rodrigo Teixeira (um dos tupiniquins mais bem sucedidos de Hollywood, tendo produzido filmes como o Ad Astra estrelado pelo Brad Pitt). Marcelo brinca que se você acha que discutir com especialistas é difícil, imagina discutir com quem já ganhou Oscar.

A Magnopus é uma empresa de realidade virtual, algo que Marcelo acredita que vai revolucionar o mundo como conhecemos. Ele acredita que a vida digital vai sair da tela e vai se mesclar no mundo, que todo mundo vai usar óculos e teremos uma nova dimensão da cognição humana. Algo que ainda não conseguimos entender as possibilidades que essa capacidade analítica instantânea (AI + Cloud) nos abre.

E a Magnopus está na fronteira da inovação nesse tipo de tecnologia. Ela possui desde projetos com a NASA, com a Apple e foi a responsável pela produção do novo filme do Rei Leão, que rodou em cima da plataforma da empresa. Nesse filme, por exemplo, ao invés daquela tela verde e personagens usando roupas com sensores, tudo foi construído em um estúdio completamente virtual. Isso deu muito mais liberdade criativa para o diretor.

Por fim, Marcelo também é investidor em várias startups. É um dos investidores originais da Singularity University, por exemplo. Além disso, é board do maior varejista brasileiro, o Carrefour. Sua mensagem final para os nossos empreendedores: Nunca houve uma época tão propícia para o empreendedorismo. As possibilidades são gigantes!

 

“Contando até parece bonita a história, mas ela é um pouco desventuras em série também.”

Marcelo Lacerda

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