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O Grupo RPH

 

Nada como uma pandemia para dar um boom no setor de saúde global. Fazer os nossos heróis da saúde receber o reconhecimento que sempre mereceram e colocar um pouco mais de holofote e dinheiro nas diversas inovações desse setor, que tem potencial de salvar tantas vidas. Aqui na KPTL temos um longo histórico de investir no mercado de saúde, que apesar de ter grandes oportunidades, também é cheio de peculiaridades e desafios. Por isso, hoje eu vim contar um case para dar um gostinho para vocês.

Muitos anos atrás decidimos investir na única empresa privada de medicina nuclear do Brasil. Ela produz medicamentos radioativos que, injetados na veia do paciente, facilitam uma imagem completa do órgão doente para dizer exatamente o que funciona melhor para curar o tumor naquele órgão. Seu único competidor é o IPEN, o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares. O IPEN é uma instituição pública que apesar de ter muita tecnologia lá dentro, infelizmente gasta muito tempo em uma rixa com os cursos de ciências sociais das faculdades federais de quem consegue entrar mais em greve.

Mas o que nos atraiu nessa oportunidade foi o empreendedor. Se empreender já é dificil e no Brasil é mais ainda, imagina em um mercado onde o seu produto é literalmente radioativo. Para isso a primeira coisa que você precisa ser é extremamente determinado. E nisso o Rafael Madke, fundador do Grupo RPH, é de sobra. Esse é um cara que fumava 1 carteira de cigarro por dia e estava muito acima do peso. Quando ele decidiu retomar o equilíbrio da vida, em apenas 2 anos, ele já se via completando um Iron Man. Para quem não sabe, esse é ápice do Triathlon e consiste em 3,8km de natação, 180km de ciclismo e 42km de corrida. A foto no instagram na linha de chegada no dia da corrida ou tocando o sino do IPO não refletem as 3 horas de treino diárias ou as muitas noites em claro que os esportistas e empreendedores precisam passar para chegar lá.

A segunda coisa que você precisa ser é apaixonado. E no Rafael, essa paixão é melhor descrita pelo seu time do coração, o Internacional. Ele é colorado fanático. Seu sogro, porém, é gremista e todo aniversário dava uma camisa do Grêmio para a filha dele. Um belo dia ela decidiu que ia torcer pro Grêmio. Rafael então marcou uma viagem pra Disney para a familia inteira, menos a filha. Quando ela reclamou, ele disse: “Aqui em casa, se voce torcer pro Inter, vai ter tudo do bom e do melhor. Se quiser ser gremista, vai conversar com o seu avó para ver o que você ganha.” É esse tipo de paixão que o Rafael leva para os negócios.

Foi a combinação dessa paixão e determinação que levou o Rafael a se tornar uma das maiores referências nesse mercado. Um conhecimento que o faz ser consultado pela Anvisa sempre que querem criar um modelo regulatório novo. É claro que o mundo de Venture Capital sempre consegue te surpreender. Meses após o investimento da KPTL, o Rafael decidiu dar um mergulho em uma piscina mas não notou que ela estava vazia. Teve traumatismo craniano e quase perdeu a vida. Porém aquele seria apenas mais um capítulo no seu livro de superações.

Depois de um tempo, vimos que apesar de margens escandalosas aquele mercado era limitado em tamanho e por isso para crescer precisavamos mudar o modelo. A forma como que funciona esse mercado é que o cliente compra um quantidade mínima de insumos, que muitas vezes sobram depois do exame. Como ele é radioativo, não é algo que você simplesmente joga no lixo. Por isso, é preciso contratar uma empresa especializada nesse descarte, algo extremamente caro. Ai que entrou a inovação, algo que o Rafael observou que já acontecia lá fora.

Depois de muitos anos trabalhando para conseguir a aprovação regulatória, em 2018, a RPH começou a operar uma Radiofarmácia Centralizada (RFC). Nesse modelo, o cliente avisa com 1 dia de antecedência quantos exames serão feitos e a RPH entrega doses personalizadas, que não geram nenhum tipo de sobra. O grande do mundo nisso é a Cardinal, nos EUA. Eles fazem isso dentro do Walgreens. Já tinham até tentado entrar no Brasil mas nunca conseguiram superar a questão regulatória. A primeira farmácia da RPH foi montada na Beneficiência Portuguesa, porém, a RPH planeja construir pelo menos mais 5 nos próximos dois anos. Isso fez a sua margem catapultar e mesmo assim sair mais barato para o comprador.

Nesse ano a empresa foi vendida para o grupo Ygeia Medical que a avaliou na casa de R$100 milhões e permitiu a KPTL multiplicar por 6 o seu investimento. Deals como esse não são os que ganham mais atenção na mídia mas o holofote pouco importa. O que importa é que inovações como essas trazem eficiência para o setor de saúde, o que salva vidas. E, claro, também trazem um bom retorno para os nossos investidores, o que ajuda a bancar o chopp de sexta aqui do pessoal.

“Eu não vejo as particuliaridades do Brasil como um problema. É igual o Inter perder o Grenal e reclamar do burado no campo. O buraco está ali para os dois times.

 

Rafael Madke

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