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O engenheiro do ITA que se tornou a maior referência em moda na Faria Lima

 

A família Villaescusa está a gerações no ramo de alfaiataria. O pai de Augusto era um imigrante espanhou que chegou no Brasil na década de 50. Em 1970 começou a camisaria. Passava o dia inteiro na rua vendendo e a noite produzia as camisas com a ajuda da mulher. Foi no mercado financeiro que ele começou a ter sucesso. A brincadeira nas corretoras é que o caderno de pedidos dele valia ouro. Em uma época sem Google e sem Linkedin ele tinha ali os nomes, endereços e telefones de boa parte do PIB brasileiro.

Enquanto isso Augusto seguia outro caminho. Engenheiro formado no ITA, tinha acabado de sair da Accenture quando, em 1987, o pai faleceu. Foi então que ele e suas duas irmãs assumiram a camisaria. Em 1993, abriram a loja física. Em um belo exemplo da dificuldade de se empreender no Brasil, na véspera da abertura, a loja foi assaltada. Augusto não tinha seguro e nem fez BO. Mas alguns dias depois ligaram para ele falando que estavam vendendo as camisas em uma favela. Augusto ligou para um delegado e disse que não queria incomodar mas que ele tinha os nomes de todo mundo que o assaltou e sabia onde estavam.

Enquanto uma irmã cuida da loja e outra da parte administrativa financeira, Augusto segue fazendo o que o pai fazia: Passa o dia inteiro na rua atendendo clientes. E os atendimentos vão desde no palácio dos Bandeirantes até no estacionamento do shopping Iguatemi em cima do capó de um carro.

Desde que assumiu os negócios, foram mais de 27 mil clientes atendidos. E a lista inclui ex-presidentes da república como o FHC, diversos governadores de São Paulo como João Doria, Geraldo Alckmin e Mario Covas. Também conta com celebridades como Leandro Karnal e Éric Jacquin. Boa parte dos advogados que dão nome ou comandam os maiores escritórios também figuram na lista. No mercado financeiro nem se fala. Vem desde o Olavo Setúbal até os irmãos Safra e Pérsio Arida. No Itaú, por exemplo, hoje atende do Presidente ao estagiário. Quando o pessoal mais de baixo brinca que só vai fazer camisas com ele quando crescer na hierarquia, Augusto inverte a ordem: “Você só vai crescer aqui dentro se estiver vestindo as minhas camisas.”

As camisas custam caro, cerca de 400 reais, mas elas se traduzem em qualidade. Nessa semana, por exemplo, Augusto recebeu uma camisa de 1990 para trocar o colarinho. E a qualidade, por sua vez se traduz em lealdade. Essa que passa de pai para filho. O camisero se empolga em contar que começou a atender a quarta geração de uma família. Sua maior venda? Um vez um cliente pediu 44 camisas em apenas 6 minutos de conversa.

Com o tempo, sua operação também foi se expandindo. Dois terços do faturamento ainda correspondem as mais de 750 camisas que ele produz por mês, mas desde então também começou a produzir calças, ternos e acessórios. Hoje são mais de 40 funcionários em toda a operação.

Apesar de estar em uma indústria onde o artesanal é valorizado, Augusto também não deixa de utilizar tecnologia. Ele criou um software de gestão em que organiza pedido, ve estoque, CRM etc. Segundo ele, ficou tão legal que poderia começar a vender esse software. “Mas prefiro ficar no meu business mesmo, que é vender camisa.”

E em tempos de crise, Augusto não deixou de se mexer. Começou a enviar uma máscara junto com cada camisa. Fez tanto sucesso que começou a vendê-las também, a um custo de 10 reais cada. E o atendimento também não parou, graças a um mostruario online com todos os seus tecidos.

Augusto Camisero

“Moda masculina muda de 10 em 10 anos e o homem leva 10 anos para se acostumar.

 

 

Augusto

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