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A5 no Web Summit

A maior concentração de empreendedores do mundo.

Day 2 

Após as palestras iniciais do dia 1, ontem a conferência começou de fato. São 4 galpões enormes com dois palcos em cada e uma arena com capacidade para 20 mil pessoas. Não precisa nem falar que o menorzinho desses palcos é equivalente ao palco principal dos eventos que costumamos ver em São Paulo. Em todos há palestras acontecendo simultaneamente das 9 da manhã até as 5 da tarde.

O clima que você sente no evento é parecido com um de jogo de futebol, só que a seleção não é o Brasil é o empreendedorismo. Vibrante, energético, intenso, animado, são algumas das palavras que eu usaria para descrever. O app do evento também merece aplausos. Tudo é feito por ele. Ao comprar o ingresso, você se cadastra e monta um perfil, como em uma rede social, definindo também suas áreas de interesse. O registro no primeiro dia do evento é feito pelo QR code gerado no App. O App também já possui um leitor de QR code que é usado para ler o código nos crachas das pessoas que você conhece no evento, já adicionando-o a sua rede. No App há um chat para conversar com as pessoas e ele mesmo, com base no seus interesses lhe recomenda pessoas para conhecer e palestras para assistir. Você também tem acesso a descrição de todos os palestrantes e expositores e monta o seu schedule no próprio App. Além disso, há transcrições em tempo real de todas as palestras, ou seja, nem perca seu tempo anotado, porque fica tudo salvo no App!

As palestras são todas bem curtas. A mais longa tem 30 minutos, mesmo no caso de painéis. Por isso dá pra assistir muitas durante o dia e vou trazendo alguns dos destaques para vocês.

Comecei o dia com a palestra do fundador do Shazam, Chris Barton. E essa história é incrível. A ideia revolucionária dele não era simplesmente identificar músicas, mas conseguir fazer isso em som ambiente, diretamente de um receptor rústico que é o seu celular. Para isso ele procurou os melhores PhDs no mundo que estavam trabalhando no tema. Fez uma lista com 30 deles e pediu para um professor de Standford ranqueá-los. O número 1 da lista achava que aquela ideia era impossível mas topou o desafio e se tornou cofundador do Shazam.

Tudo isso eram os anos 2000. Nao existia ipod, nem smartphone, nem apple store. Quando lançaram a primeira versão, os clientes pegavam aquele Nokia tijolo que tinham e discavam um número, que então acionava uma gravação de 15 segundos e enviava um SMS com o nome da música. Para operacionalizar isso tinham um problema: Não existia Search engines e nem um arquivo com o conteúdo de todas as músicas. Ele então construiu o search engine dentro de casa e colocou 30 jovens trabalhando turnos de 8 horas 24/7 fazendo downloads de CDs e digitando os nomes das músicas. Deu certo, e começaram a operar já com um arquivo de 1.6 milhões de músicas. O que não deu certo foi a monetização disso tudo. Ele quase quebrou a empresa e sofreu vários downrounds dos investidores.

Muitos anos depois, quando a Apple Store foi lançada, que as coisas deram certo. Ele se tornou um dos Apps mais baixados, superando a marca de 1 bilhão de downloads e 125 milhões de usuários ativos. Em 2017, a Apple comprou o Shazam, por US$ 400 milhões.

Tambem tivemos a palestra do Chief Product Officer do Uber, Manik Gupta. Eles estão com 99 milhões de usuários ativos, operando em mais de 65 milhões de países. Ele contou sobre como isso traz uma complexidade enorme ao negócio, pois o que acham que deveria funcionar lá do escritório na Califórnia, não necessariamente é o que o motorista brasileiro, por exemplo, mais deseja. Um exemplo disso é o fato de aceitarem dinheiro para o pagamento das corridas. Houve enormes discussões sobre lançar ou não essa feature, com muita gente lá dentro contra. Resolveram lançar e hoje 40% das corridas no mundo todo são pagas dessa forma.

Eles também estão testando novas frentes. Possuem o Uber Eats, acabaram de comprar a CornerShop (que entrega mercearia), o rewards deles já estão com 20 milhões de usuários, entre outros. Mas o Manik não acredita no conceito de SuperApp. Para ele essa história está velha e a decisão de juntar ou não determinados produtos em um mesmo App será feita de acordo com a experiência do cliente. Ele também falou que o business principal já é rentável e o resto deve se acertar até 2021. E os Carros Voadores? 2023.

Por fim, vale terminar com uma palestra cujo palestrante talvez não seja o mais conhecido, mas lotou o palco completamente e tinha tanta gente de fora que tiveram que projetar a palestra na praça principal do evento. Senhoras e senhores, vamos receber o Wai Lee, Chief Product Architect da Garmin. Essa é uma empresa que foi listada por conceituados veículos e mídia como uma marca que iria desaparecer completamente nos próximos 5 anos. Outras da lista eram Blockbuster, Nokia, Kodak e BlackBerry. Mas a Garmin deu a volta por cima, principalmente devido ao trabalho de uma divisão denominada de Area 51 e liderada por Lee.

Como vemos no gráfico, a receita da Garmin vinha em grande parte do seu sistema de navegação automotivo. Com os Wazes da vida, esse business entrou em cheque. Mas com a revolução comandada por Lee, nesse ano a Garmin terá um faturamento recorde. Nessa linha de outros eles agora possuem computadores para mergulhadores, relógios para crianças em parceria com a Disney, relógios para corredores (que você pode ver muito facilmente no condado da Faria Lima), entre outros.

E a Area 51 funciona como uma incubadora de startups internas. Ele possui 75% de acerto em novas linhas de produtos que juntas ja somaram mais de 1.5 bilhões de euros para o faturamento da empresa. Sua tese é de que Design Thinking é overrated. Não deixa de ser um framework útil, mas depois de todos os high fives e post-its, a maioria das ideias que nascem dai não produzem resultados financeiros positivos. Lee acredita que o importante não é pensar fora da caixa e sim fora da fábrica. É um “production mindset” em que ideias são vistas como matérias-primas, que precisam ser construidas e vendidas. A pessoa lá na Garmin que tem essa ideia, acompanha ela até o ponto de venda, se responsabiliziando por todo o processo e não só pela idealização.

E a design innovation na Garmin é movida de três formas. A primeira é a Passion Driven, em que um ciclista desenvolve o produto para ciclistas ou mergulhador para mergulhadores. A segunda forma é a Vision Driven. Se você está voando no seu pequeno jatinho e o único piloto subitamente morre, o que você mais queria? Um botão de emergência que pousasse o avião sozinho. Pois bem, a Garmin acaba de lançar exatamente esse produto. E, por fim, a metodologia via estudos de mercado. Junte todas isso e eis a receita do turnaround da Garmin.

“Where the future goes to be born.

 

The Atlantic sobre o Web Summit

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