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A5 no Web Summit

A maior concentração de empreendedores do mundo.

Day 4 

Último dia de Web Summit! Na foto acima estão os nossos campeões do segundo A5 Challenge. Para quem não lembra, essa foi a competição universitária que organizamos cujo prêmio foi a viagem com tudo pago aqui para Lisboa onde o aprendizado da competição continuou.

Nesse ano, o projeto A5 no Web Summit cresceu. Além dos campeões do Challenge e da equipe da A5, tivemos duas das nossas investidas participando em peso. A Colab foi patrocinada pela EDP, depois de ser selecionada no programa Starter da EDP, ficando entre as 10 empresas do mundo inteiro que a empresa portuguesa levou para Lisboa. Eles contaram com um stand em todos os dias do evento em uma das áreas mais nobres, de enorme exposição.

A outra empresa foi a Justa, que atua no setor de meios de pagamentos e crédito. A Justa não só contou com um stand como foi selecionada para palestrar em um dos palcos contando sobre a sua solução, que já está presente em 25 dos 27 Estados brasileiros, com mais de 3 mil clientes.

Essas participações nos mostrou como esse evento é um enorme balcão de negócios. Dezenas de pessoas vindo nos stands para saber mais sobre as soluções. Investidores marcando reuniões privativas para conhecer. Outras startups querendo agregar as suas soluções nas nossas. O interesse no Brasil é enorme!

Sobre as palestras, eu comecei o dia com uma sensacional. O brasileiro Fernando Machado, CMO global do Burger King. Ele contou sobre como fez para superar o seu rival que têm muito mais dinheiro para marketing. E fez isso por meio da criatividade.

“If it looks like an ad, sounds like an ad and smells like an ad, then it probably isn’t a good ad.”

Ao invés de torrar rios de dinheiro anunciando que o produto dele era Flame-Grilled, viu que dava muito mais retorno remodelar a máquina onde são feitos os hamburgueres, para os clientes que fossem na loja conseguissem ver o fogo de fato. Ao invés de patrocinar a Copa do mundo como o McDonald’s, resolveu patrocinar o FIFA 20, para atingir a camada de jovens que queria. Falou sobre a campanha do Whopper Detour (que falamos nessa news aqui), do delivery no meio do transito e do MeltDown dos brinquedos.

Essa mudança de gestão que Fernando aplicou no BK trouxe resultados. O BK, entre 2004 e 2014, tinha ganho 31 leões em Cannes, festival que premia a criatividade. Nos últimos 5 anos eles ganharam 134 leões! Só em 2019, foram 40. Isso também trouxe impactos financeiros, com um expressivo aumento nas vendas mundo afora e um impressionante aumento no valor da marca, como vemos na foto acima na linha vermelha. Fernando foi um dos palestrantes mais aplaudidos que vi no evento inteiro.

Também tivemos uma palestra do Marc Raibert, fundador e CEO da Boston Dynamics, empresa adquirida pelo Softbank. Eles são responsáveis por criar alguns dos robôs mais avançados do mundo (também já falamos deles nessa news aqui). Ele trouxe com ele o Spot, um robô em forma de cachorro que inclusive é assustadoramente parecido com aquele cachorro robô que apareceu na série Black Mirror. Eles já colocaram algumas unidades dele a venda, por “um preço de um carro”. Claramente ainda não está totalmente pronto. No palco, precisou de alguém controlando o robô, mas mesmo assim, a mobilidade dele e potencial são impressionantes.

Por fim, duas últimas palestras. Primeiro, o CTO dos EUA e principal advisor sobre tecnologia para o Trump. Falou sobre sumpremacia quantica atingida pelo Google, da importância de AI, da preocupação dos EUA com segurança e privacidade envolvidas com AI, criticou a China e outros países que utilizam empresas chinesas no desenvolvimento de tecnologia 5G e AI. Gastou metade do tempo falando de China. No evento inteiro, foi o único que leu o discurso, bem superficial e vago. Conseguiu ser vaiado por parte do público no final.

A segunda foi a Margrethe Vestager, a EU Commissioner for Competition e tida como a mais poderosa reguladora das empresas Tech do mundo. Esse foi um tema muito em voga no evento, o tamanho exagerado que algumas das empresas Tech chegaram. Ela não acredita que estamos em um caso de que essas empresas devam ser desmembradas, mas defende que para empresas desse tamanho, o barra de regulação têm que ser mais alta, elas ganham uma responsabilidade diferenciada. Assim como o Snowden, ela também tocou no ponto que a discussão não pode ser apenas sobre Data protection mas também sobre Data Collection.

E sobre o evento em geral, só elogios. A organização é impecável. Tudo funciona. Placas da Web Summit estão espalhadas por toda a cidade. A Wifi do evento é uma das melhores que eu já vi e olha que isso não é fácil. Só pra fazer essa Wifi acontecer foram necessários 150 engenheiros trabalhando por 3 meses. Ao todo no evento são consumidos cerca de 40 TB de dados.

Lisboa tem apenas 500 mil habitantes em sua área metropolitana então quando 70 mil pessoas vem para o evento, não precisa nem falar que a cidade toda fica mobilizada em torno disso. Mas não só Lisboa, Portugal inteira se mobiliza. Participaram do evento o prefeito de Lisboa e o Presidente de Portugal.

Achei interessante que apesar de Portugal não ser um país com grande relevância no mundo tech, o fato de hospedar esse tipo de evento faz com que pelo menos por alguns dias o país se torne o centro mundial nesse quesito. Foi emocionante ver o comprometimento e incentivo por parte desses dois políticos em incentivar a comunidade empreendedora portuguesa e usar o evento como plataforma para colocar em evidência essas startups e empreendedores portugueses. No discurso de encerramento do evento, o presidente português foi aplaudido de pé pelo estádio lotado, única vez no evento todo que eu vi isso acontecer. É a comunidade tech aplaudindo não só o belo discurso mas o esforço do país em querer ganhar relevância nesse cenário.

No ano passado, o Web Summit anunciou que vai realizar o evento em Lisboa pelos próximos 10 anos o que foi muito comemorado pelos políticos portugueses nos seus discursos. Então para encerrar, deixo o mesmo desafio que deixei no ano passado. Porque daqui a 9 anos o Web Summit não se muda para o Brasil? Porque daqui a 9 anos a nossa querida São Paulo não se torna a capital da inovação e tecnologia do mundo por alguns dias? Porque daqui a 9 anos não temos o apoio completo do nosso governo e o nosso presidente ovacionado pelo mundo? Eu diria que 9 anos é tempo o bastante para nos prepararmos e como Nelson Mandela já dizia:

“Everything seems impossible until its done.

 

Nelson Mandela

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